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George Marques
George Marques

GEORGE MARQUES: UM TALENTO ESCONDIDO NA SENHOR DOS PASSOS

O artista cria e restaura esculturas há quase 35 anos, utilizando uma técnica exclusiva.

Quando tinha 17 anos, em 1972, o mineiro George Marques foi chamado pelo irmão, Paulo Marques, para ajudá-lo a restaurar a escultura de um expedicionário brasileiro, para a extinta Fundação Universitária Mineira (FUMA). Desde então, George nunca mais largou o ofício de escultor, que hoje é a sua principal fonte de renda.

No currículo, que retrata seus quase 35 anos de carreira como artista plástico, estão documentadas várias conquistas de uma vida de luta. Trabalhos como a restauração de peças artísticas do santuário Dom Bosco, em Brasília, e também a construção de uma escultura em tamanho natural do ex-presidente Tancredo Neves, hoje disposta na entrada de Caeté, cidade natal do político. “Quando a esposa do Tancredo viu essa escultura, disse que aquele era o marido dela mesmo”, lembra ele. Seu último trabalho foi a restauração da escultura da “Lavadeira”, que faz parte de um chafariz da Praça da Liberdade. Agora, vai começar a trabalhar na restauração de várias peças que fazem parte da composição original da Praça da Estação, mas que foram retiradas do local porque estavam sendo depredadas.

Além de várias esculturas restauradas ou criadas, George chegou a ministrar cursos sobre o uso da técnica de borracha de silicone no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) em 1995, 1996 e 1997. A técnica com silicone, utilizada por ele para reproduzir moldes de esculturas, é muito mais prática que a técnica que utiliza bronze. Segundo George, existem apenas cerca de 25 profissionais no Brasil que trabalham com essa técnica, trazida para cá por escultores franceses e italianos há dezoito anos. George também trabalha com mármore sintético, granito verde ou preto e resina de poliéster, que permite reproduzir imitações de metal, de bronze ou de alumínio.

Apesar do valor de seu trabalho, pelo caráter de exclusividade, George diz que ainda enfrenta muita dificuldade para divulgá-lo. Ele pensa que se tivesse um lugar para expor seus trabalhos e infra-estrutura para divulgação, tudo ficaria mais fácil. “Eu quero ter meu computador, ter meu site para divulgar o meu trabalho. Quero também produzir um vídeo para mostrar para as pessoas como é simples o processo de reprodução de peças através da técnica de borracha de silicone”, explica.

George é nascido e criado na Vila Senhor dos Passos, local onde morou durante toda a vida. A oficina onde trabalha fica dentro da comunidade, nos fundos da casa de seu pai. Ele se lembra da época do bloco de caricatos Leões da Lagoinha e também do Esporte Clube Terrestre, segundo ele, “grande time de futebol”, que não existe mais.

Reconhece as vantagens de morar na Senhor dos Passos, como a proximidade do Centro e da Av. Antônio Carlos, onde consegue comprar todo o material para o seu trabalho, mas lamenta a ação do tempo e a expansão da violência: “A vila era um lugar muito mais tranqüilo para se viver do que é hoje”, conclui.

George Marques

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