Artistas
Carlindo Ribeiro dos Santos

A arte de dar forma ao natural
Do cipó e do bambu surgem formas e objetos criados e reproduzidos pela mão do homem. É a arte imitando a vida
Nascido e criado em Sabará, o artista Carlindo Ribeiro dos Santos (33), morador do bairro Castanheiras, consegue viver da arte, apesar das dificuldades. O trabalho com bambu e cipó, que, hoje, traz sustento para Carlindo, a esposa e o filho, é fruto da observação e da criatividade. O primeiro contato do artista com a matéria-prima que ele transforma em triciclos, bicicletas, velocípedes, carrinhos de mão, cestos, xícaras e regadores foi há treze anos. O artista começou trabalhando como ajudante de artesão e um ano depois fazia as próprias peças. Durante o aprendizado, ele chegou a fazer cerca de 40 bicicletas por dia. Ele conta com orgulho que sua especialidade é o triclico, um objeto que, de acordo com ele, é dos mais difíceis de produzir.
A história de vida de Carlindo Ribeiro mostra que ele nasceu para lidar com o delicado e o precioso. As mãos, que hoje tecem cipó e bambu, há muitos anos tocaram ouro nas minas de Sabará. Passada a infância, após a morte dos pais adotivos, Carlindo conta que saiu para o mundo. O homem, que chegou a morar em baixo de um viaduto de Belo Horizonte, produz peças para shoppings, condomínios e lojas de luxo. O Ateliê, um cômodo de lona e amianto no quintal da casa humilde, abriga artista e obra durante várias horas por dia.
O sonho de Carlindo é ter um pequeno sítio, próximo a uma mata com bastante cipó para o trabalho. Para buscar a matéria-prima, ele já andou longas distâncias nos municípios de Sabará e Nova Lima, carregando mais de 45 quilos de cipó nas costas. Hoje, ele já tem um cavalo e uma carroça para fazer o transporte da carga.
A vida simples e o volume de trabalho não impedem que Carlindo tenha tempo para se dedicar ao trabalho voluntário. Ele trabalha como pedreiro em um canil e também reserva um espaço em casa para os animais. Os percalços da vida parecem ter refinado a percepção desse homem que, quando perguntado sobre o gosto por animais, responde “não gosto de ver os cachorros sofrendo na rua”.
A percepção aflorada, a habilidade com as mãos e o dom da arte fazem de Carlindo um homem especial. Suas peças pardas como a terra se misturam e se destacam nos tons de bege da paisagem periférica. As peças que caminham pelos extremos, da periferia às áreas nobres da capital mineira, são feitas por encomenda, são únicas e personalizadas.
Carlindo Ribeiro dos Santos
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