Favela é isso aí

Artistas

Crime Verbal
Crime Verbal

Hip-Hop até o caroço: Blitz dá o tom

Antes ele era rebelde, hoje é rapper. Falar do que realmente importa é a oração cotidiana de Blitz: somar, transformar, realizar

Na vida do MC do grupo Crime Verbal, o hip-hop foi, antes de tudo, fazer o certo. “Blitz”, como o apelido já diz, sempre teve atitudes de “parar o trânsito”. Como sempre gostou de chamar a atenção, trocou oito por oitenta, quando compreendeu que a poesia tinha poder. “Certa vez, passava em uma praça quando ouvi um som de uns garotos. Pedi um pedaço de papel e fiz uma letra. A galera curtiu”. E no mesmo dia, entrou para o grupo Movimento Negro e já teve que cantar.
Além do Movimento Negro, integrou também o grupo X da questão e Face X. Hoje, milita no Crime Verbal, ao lado do DJ Tinininho. Ao transmitir o que acontece na comunidade, Blitz salienta que a batida é diferente quando temperam a música com o trabalho social. “A diferença está no cara que também trampa pela comunidade: oficinas, debates, fóruns”. Ele trabalha há dois anos ensinando rap e grafite para jovens e crianças do Conjunto Taquaril, onde mora.
O hip-hop, que nasceu do desejo de negros americanos de fazer sua identidade reconhecida e fiscalizar o poder, mostra que do morro brotam talento e fibra, diante da adversidade. “O amor surge muito dessa necessidade de ajudar o próximo. Sai uma letra, uma escultura, um desenho baseado em uma cena triste que vivemos, mas também de acontecimentos alegres da comunidade”, revela Blitz.
Cultura que possui fundamentos anti-totalitários, é papel do movimento Hip-Hop adequar suas necessidades às oportunidades, como ressalta Blitz. “Há pessoas que vão à TV e não têm discurso. MC’s esquecem de seus projetos com a comunidade e não dão o recado”. Já que a melhor pauta para os noticiários é a violência, Blitz dá o recado: “Eu gostaria que os jornalistas fossem fiéis ao nosso discurso. Arte na comunidade não atrai jornalista, mas crime sim”.
Sob influências musicais de Código Penal, África Brasil, Gog, Confluência e Clã Nordestino, Blitz mostra que o passado já era. Reivindicar hoje, buscar informação para não se deixar alienar e revolucionar. “Ninguém vai lutar por nós. A nossa demanda quem sabe é a gente”.
Luta a luta, o movimento mostra quem é a partir do que pensa. “O nome Crime verbal vem disso: através do verbo, falamos a verdade. Mas fazer isso é um crime”. Apesar das dificuldades, as manhãs são rompidas com muita esperança. Mesmo que a luta seja das mais duras.

Blitz

Telefone de Contato: (31) 3483-4277 / 8842-4022