Artistas
Fusion Black
A arte de fundir corpo e movimento
Revelação na Vila Nossa Senhora do Rosário, o Fusion Black é uma demonstração do papel social da arte
Dia da Consciência Negra, 20 de novembro de 2005: a surpresa para os moradores da Vila Nossa Senhora do Rosário foi geral. Boa parte da comunidade não sabia que Aline, Álvaro, Caio, Diego, Edgar, Fabrício, Gladstone, Gleiciane, Isadora, Jefferson, Leandro Gonçalves, Leandro Junior, Rafaela, Thiago e Victor integravam o grupo de street dance chamado Fusion Black. “Foi a primeira vez que nos apresentamos dentro da comunidade, apesar de dançarmos desde novembro de 2002. Os moradores não esperavam”, conta o coordenador do grupo, Gladstone Navarro.
A surpresa, segundo o coordenador, foi causada pelo desconhecimento dos moradores acerca dos grupos de arte da comunidade. Além disso, ele diz que é incomum pensar que boa arte venha da periferia.
O grupo não fica apenas nas apresentações coreográficas e manda bem também no improviso. O free style, estilo de street dance apresentado pelo grupo, já conferiu a eles diversos títulos: 3º lugar em 2003 e 2004 e 2º em 2005 na Competiphoenix, campeonato que acontece na capital. “Fora de BH, a competição é ainda mais dura. A gente se empenha e investe em aulas, roupas e viagens. Já nos apresentamos em Criciúma, Santa Catarina, Curitiba, no Paraná, São Paulo, Varginha e Estiva”, conta.
Utilizando-se da liberdade que o free style permite, o coreógrafo do grupo Victor Alves, conta que para criar a coreografia baseia-se na essência da rua, nas histórias reais da street dance. Além de ser cultura, reforça que a dança é também profissão e acrescenta: “trabalhar com dança exige profissionalização. E o patrocínio é fundamental. A gente paga nossas próprias viagens e cursos, o que dificulta, às vezes”.
Ao integrar corpo e movimento, a dança, para Gladstone, confere uma energia diferente das outras artes. “Dançar pra mim não é algo que eu faço, é algo que eu sou”. Daí, estabelecer a diferença entre a dança de rua com as demais fica fácil: ela traz a liberdade. “A gente usa todo o corpo: é uma dança completa. São movimentos que entram dentro da gente e ficam gravados”, revela.
Para o coordenador do Fusion Black, mostrar às pessoas que a arte pode ser construída em lugar da violência representa mudar o olhar da própria comunidade sob o morro. “A comunidade é visada de outro jeito”, conta. Por essa razão, o grupo se organizou para retomar o Projeto Fusion Black, em que crianças e jovens aprendem a dançar a modalidade street dance. O projeto, que teve que ser interrompido por falta de recursos, trazia benefícios à comunidade. “Ali, os pais sabiam que seus filhos estavam seguros, porque estavam em companhia da arte”, revela. O grupo deseja recomeçar os trabalhos com as crianças, dentro de um espaço cedido pelo Colégio São Francisco.
Gladstone ou Victor
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