Artistas
Bené
Tapeçaterapia
Aos sessenta e oito anos, Bené, ex-operário da construção civil, faz artesanato, superando as limitações de movimentos, provocadas por um acidente vascular cerebral.
Benedito Camilo (68) faz tapetes artesanais há quatro anos. A atividade surgiu na vida de Seu Bené de forma inesperada, depois de um problema de saúde. Um dia de manhã, por volta das 5h, quando se preparava para mais um dia de trabalho pesado na construção civil, ele teve um acidente vascular cerebral e foi levado para o hospital, onde ficou em estado de coma durante oito dias. O problema neurológico trouxe algumas seqüelas, limitando parcialmente os movimentos das mãos e pernas de Seu Bené.
Ainda em 2002, alguns meses após o acidente, a filha de Seu Bené, Cláudia, decidiu presenteá-lo e lhe deu um tear de madeira. Com o presente, seu pai poderia exercitar as mãos, auxiliando na recuperação dos movimentos e, ao mesmo tempo, ajudando na renda da família. A casa é sustentada com o trabalho de todos: sua esposa, Augusta, cata latinhas e sua filha Cássia trabalha com manutenção de limpeza. A renda obtida por ele, através da elaboração dos tapetes, é parte significativa do sustento familiar.
Além da importância econômica, o trabalho artesanal funciona como uma terapia para seu Bené. “Enquanto faço meu trabalho, sinto minhas mãos mais fortes. Sinto algumas dores nas pernas e não saio de casa por isso. Trabalhar sentado é melhor para mim. Além disso, me distraio”, conta Seu Bené. D. Augusta (67), a esposa, completa: “Com o artesanato ele hoje movimenta as mãos bem melhor”.
De acordo com Sílvio Araújo (30), terapeuta ocupacional do Hospital IPSEMG, a tapeçaria pode ser eficaz para a recuperação de movimentos de pacientes pós-AVC: “Não há nenhuma contra-indicação para o desenvolvimento de atividades leves, como a tapeçaria, para estes pacientes. Pode melhorar as funções motoras e psicomotoras, desde que ele consiga realizar o trabalho”, explica.
O material usado pelo artesão são as tiras de malhas e tear, que o acompanha desde a primeira peça. Os retalhos de malha são comprados por Jairo, um costureiro da Vila Califórnia. Para concluir um tapete leva de Seu Bené leva de três a quatro dias. Um conjunto com três tapetes pequenos é vendido a quinze reais.
Seu Bené, personagem conhecido na vila, é parte da cena local. Ele sempre coloca a cadeira na porta de sua casa humilde, onde assenta, e com o tear em punho vai tecendo, ouvindo rádio e conversando com quem passa. A porta de casa é seu ponto de encontro e venda. As condições financeiras para a família são difíceis, a casa onde vivem está precisando de muitos reparos, e as demais necessidades da família são atendidas parcialmente. O grande desejo de Seu Bené é poder vender os tapetes numa feira, para obter um retorno financeiro maior.
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