Artistas
D. Dalva
Toque de Midas
A dificuldade financeira colocou para D. Dalva Lúcia da Silva (57) uma alternativa e hoje o material reciclado é sua principal matéria-prima. O maior desejo da artesã é expor novamente em feiras para aumentar sua renda e dar continuidade a um trabalho que é “uma terapia”.
Dona Dalva começou a fazer artesanato em 1997, por conta própria. Autodidata, valeu-se de muita inspiração, aprendendo somente algumas dicas em programas de TV. Há nove anos cria peças em crochê e tricô, faz bolsas, roupas, bijouterias, tiaras, prendedores de cabelo, cintos, arranjos de flores e tapetes.
A principal dificuldade da artesã é a compra de materiais. Viúva, não recebe aposentadoria ou pensão e conta com a ajuda financeira dos filhos, já casados. “Minha vida não é fácil. Hoje mesmo precisava de um dinheiro para comprar cola para fazer um trabalho. Mas não tive como”, conta. Os obstáculos que ela enfrenta não são somente financeiros: faz fisioterapia para minimizar as dores que tem em função de um desvio na coluna, adquirido quando trabalhava com auxiliar de limpeza num condomínio.
O uso do material reciclado surgiu como uma alternativa para produção: garrafas pet são transformadas em luminárias; lacres de cerveja tornam-se bolsas, cintos e tiaras; meias de seda originam belíssimos e delicados arranjos florais. Com a mesma criatividade com a qual faz artesanato, Dona Dalva resiste e busca meios para conseguir material: ela recebe retalhos de uma fábrica perto de sua casa, pega objetos encontrados nas ruas e ganha da família e amigos filtros de café. Tudo para continuar desenvolvendo um trabalho que para ela representa mais do que fonte de renda: “O artesanato para mim é uma terapia, porque enquanto trabalho me distraio, me divirto, ocupo minha mente com pensamentos positivos e toco minha vida para frente”, avalia.
Dona Dalva já expôs em feiras, na Avenida Afonso Pena e na Praça da Estação. Em 2004, expôs em feira na Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). Em 2005 expôs no Arraiá de Belô, na Casa do Conde. Atualmente, vende suas peças em casa e nas ruas, como ambulante. “Obter licença para expor em feiras é um processo muito burocrático, isso dificulta minhas vendas”, revela.
Hoje está se dedicando a um novo trabalho: ela confecciona jogos de cama completos com fronhas, lençóis, almofadas e capas de almofada. D. Dalva revela que sente saudades do tempo em que fazia arraiolos (tapetes de lã e juta): “É trabalhoso e o material muito caro, deixei de fazer pelo custo. As pessoas aqui no Brasil não valorizam estas peças, que são vendidas por um preço alto no exterior, é um trabalho muito bonito, gosto demais”, confessa.
O maior desejo de Dona Dalva é conseguir apoio tanto para expor novamente em feiras, quanto para a aquisição de materiais. Assim, ela acredita que irá melhorar financeiramente e poderá fazer cada vez mais os trabalhos que lhe trazem muita satisfação pessoal.
D. Dalva
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