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Seu Domingos
Seu Domingos

Samba: a energia que vem do morro

Ele é o rei Midas do Morro das Pedras: tudo se transforma em ouro nas mãos do Seu Domingos. Transforma metais em ferro no ofício da metalurgia. Mas o que o traz aqui é o outro lado: como Domingos do Cavaco, tudo vira letra de samba. Desencontros amorosos e problemas com o chefe ganham vida traduzidos no poder do compositor. “Eu vou é cantar”, ensina o sambista, que mostra que o sentimento acontece, sobretudo, no coração. Seu Domingos garante que, com leveza e irreverência, o chefe vai ter, inclusive, de comprar o CD.

Para ele, Domingos do Cavaco é apenas um pseudônimo, já que o seu forte é a composição. Com ela, faz bodas de prata este ano e revela que o casamento anda melhor do que nunca. Deixou de lado a rotina de produção das empresas para atender aos momentos de inspiração que não têm hora marcada. Como profissional liberal, “sobra sempre um tempo para batucar e tem roda de samba todo dia”, conta sorridente.

Outra característica da música de Seu Domingos é a reverência pela comunidade. “Tenho músicas que falam do Grajaú, Cascalho, da região do Morro das Pedras”, diz. Suas músicas tocam em rádios comunitárias, mas também fazem sucesso na Rádio Favela e Inconfidência, bem como na voz do intérprete Bira Favela.

Segundo seu Domingos, a música é boa quando as pessoas pedem pra tocar. Ele não costuma cantar composições próprias em seus shows, mas o público não deixa os shows sem sambar Você quer me namorar, uma de suas canções mais famosas.

De origem afro-baiana: nascido nos terreiros de umbanda, mas com tempero carioca, o samba traz e faz a alegria do morro, como Vinicius de Moraes prova em uma de suas canções homônimas: “ele pode ser branco na poesia, mas é preto demais no coração”.
“Quando falo de música, eu estou falando é da poesia”, reforça Sr. Domingos, provando porque ele é imprescindível ao falar em samba da capital mineira.

Quem tem a chance de ouvir-lo tocar, percebe que o espetáculo já vem pronto: as histórias do compositor têm trilha sonora e atitude.

E ele não fica apenas com o lirismo: também tem visão de mercado. Seus projetos futuros visam melhorar a qualidade do CD gravado Quem é você, mulher. Ele conta que tem inúmeras músicas prontas esperando por um apoio das gravadoras.

Podemos também ouvir Seu Domingos no CD CarnaBelô, especial de sambas carnavalescos, com a música Festa para um rei negro, de sua própria autoria.

Ao contrário do que muitos pensam, para o sambista música não é transpiração, é inspiração. “Cada um tem a sua estrela, seu dom: a pessoa tem de estar certa do que sabe fazer”, salienta. Uns tem a capacidade de cantar, outros, de fazer poesia. Mas Seu Domingos revela que poesia e qualidade é um casamento que poucos têm o talento de celebrar.

Seu Domingos

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