Favela é isso aí

Artistas

Grupo Ciclo XXI
Grupo Ciclo XXI

O grupo Ciclo XXI, composto por quatro jovens, dois deles moradores do Conjunto mariano de Abreu, vive da reciclagem, gerando renda, oportunidade e produzindo peças de beleza peculiar.

Há apenas seis meses, mas já com resultados positivos, nasceu na comunidade do Conjunto Mariano de Abreu o grupo Ciclo XXI que trabalha com artesanato feito com papel reciclado. Impulsionados pelo Projeto Qualificarte II, instrutor e alunos sonham em crescer, mas sempre valorizando a profissionalização, a amizade e o sentimento guardado em cada artigo produzido.

O Projeto Qualificarte II, que funciona sob a gestão da Prefeitura de Belo Horizonte, é um equipamento onde são realizados cursos de qualificação profissional básica nas áreas de telemarketing, auxiliar administrativo, encadernação e o projeto “Arte Papel”, no qual Amalides, um dos integrantes do Ciclo XXI, ministra aulas e produz papéis artesanais reciclados, há três anos. Os papéis são confeccionados a partir de cascas de alho e cebola, restos de papéis, sacos de cimento e sisal. Através do Qualificarte II, realizaram uma exposição de artigos encadernados no Expominas, em setembro de 2006.

O “Arte Papel” funciona como cooperativa apoiada pela PBH e sua produção é vendida para artesãos. Os quatro integrantes do Ciclo XXI participam do projeto e utilizam o material do projeto para a produção de suas peças. Recebem também apoio da ASMARE, que contribui com papéis e papelão para o “Arte Papel”. O grupo faz uso de outros materiais como cola, verniz, papel Kraft e tem muitos gastos com material, que nem sempre são cobertos, pelo fato de boa parte da produção ser comercializada dentro da própria comunidade a preços abaixo do valor de mercado. Por isso, estão buscando vender as peças também para lojas de presentes, artesanato e decoração.


O Grupo Ciclo XXI é composto por quatro integrantes e dois deles, os jovens André e Edeílson, são moradores da Vila Mariano de Abreu. Os demais, Gilson e Amalides moram no Caetano Furquim e Santa Luzia.

A escolha do nome se deu pela associação de ciclo, referência à palavra reciclagem e XXI, em algarismos romanos, pela tendência à reciclar do mundo contemporâneo.

Porta-jóias, porta-retratos, agendas, álbuns de fotos, porta-cds, cadernos e quadros emoldurados são algumas das peças criadas por eles, com muitas cores e formatos diversificados, resultando num trabalho bonito e criativo. A idéia de trabalhar com telas de pintura e desenhos surgiu a partir da amizade com os desenhistas, tatuadores e grafiteiros Jefferson e Lino, moradores do Mariano de Abreu, e Gão, morador do Caetano Furquim. “Tivemos esta idéia como uma alternativa para valorizar tanto o trabalho deles quanto o nosso, sendo uma maneira de mostrar desenhos e pinturas deles, saindo das folhas de papel e dos muros para as telas, e assim, as obras compradas pelas pessoas e serão guardadas por muitos anos”, diz André.

André Santana (21) conta que Amalides, que já trabalha há alguns anos com artesanato e folha de papel reciclado ensina para ele, Gilson e Edeílson. O Gilson é também responsável pela captação de clientes, de acordo com André, é ele o mais apto a argumentar nos momentos de vendas. O grupo vive exclusivamente da atividade artística e a rotina de trabalho é de segunda a sexta, chegando até mesmo aos finais de semana.

Entre as necessidades encontradas pelo grupo no desempenho de sua atividade artística estão cursos de artesanato, que possam proporcionar uma formação mais ampla nesta área. No entanto, atualmente, ainda não dispõem de recursos para realizar este investimento. Desejam também dar visibilidade aos produtos em feiras e exposições, maximizando os ganhos, com o objetivo de buscar cada vez mais o aperfeiçoamento e a profissionalização.

Além do desejo de crescer profissionalmente, existe o lado afetivo que mobiliza o grupo. “Temos uma ótima convivência de amizade. O nosso trabalho é uma oportunidade não só de montar um negócio sozinhos, mas é uma forma de colocar o sentimento de nós artistas em cada peça que criamos. Com o nosso trabalho damos oportunidade também para os meninos do graffiti divulgarem seus trabalhos, que são excelentes”, afirma o jovem artesão André, que pretende convidar outros parceiros para dar continuidade à série de telas.

André Santana

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