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DANÇA DE RUA É MOTIVO DE INSPIRAÇÃO PARA JOVENS
Os meninos do grupo Discípulos de Movimento tiveram seu primeiro contato com a dança em um projeto social. Agora, querem dar continuidade ao seu trabalho.
O grupo de dança de rua Discípulos de Movimento existe há cerca de um ano e meio. Antes disso, seus integrantes faziam parte da ONG Solidariedade Jovem, que oferecia aulas de dança para jovens de periferia, no intuito de afastá-los das drogas. Foi lá que David Souza e Ravagnani Rodrigues tiveram o seu primeiro contato com a dança de rua.
Um dos membros da ONG, José Luiz Gonçalves, sempre gostou dos meninos e já os orientava a montar um grupo. E o foi o que eles fizeram. Quando completaram 18 anos, tiveram que sair da ONG, mas decidiram não abandonar a dança. Como já tinham alguma experiência adquirida durante as aulas na ONG, os garotos começaram a montar suas próprias coreografias, de maneira totalmente independente. De uma dessas coreografias, que lembrava uma espécie de ritual místico, surgiu o nome do grupo.
Desde então, não pararam mais de dançar. Já se apresentaram tantas vezes que até perderam a conta. Algumas das apresentações foram marcantes, como uma que fizeram no Colégio Estadual Silviano Brandão, e acabaram sendo convidados pela diretora da escola para darem aulas de dança para seus alunos; além das apresentações que fizeram em outras cidades, como Curvelo e Araxá.
O grupo, hoje, tem dezesseis integrantes, dos quais três moram na Vila Senhor dos Passos. A comunidade também é o seu local de encontro. Lá, eles utilizam o espaço de uma creche, durante a noite, para ensaiar.
Hoje em dia, a intenção dos garotos é ir além da dança de rua. À medida que o tempo vai passando, eles vão incorporando em suas coreografias novos elementos, novas linguagens, com o objetivo de enriquecer suas apresentações e a sua expressão artística. “A dança de rua é uma modalidade que exige muito sincronismo, concentração, postura e expressão facial de seus dançarinos. Mas a tendência é ficar uma dança de movimentos martelados, e nós não queremos isso. Estamos trazendo também muita coisa do balé contemporâneo e do jazz para o grupo”, explica David.
Apesar da pouca idade da maioria de seus membros, os Discípulos de Movimento já estão correndo atrás de patrocínio para ampliarem os horizontes do grupo. O que eles mais gostariam de conseguir é uma van, para poderem fazer apresentações em cidades do interior, e também figurinos para se apresentarem.
“Não tem coisa melhor que dançar. Nós ainda não temos muitas condições, mas, mesmo assim, é muito bom”, diz Ravagnani, que não se deixa abalar pela falta de recursos. E a opinião de David, quando questionado sobre a experiência de participar de um grupo de dança, não é muito diferente. “Já participei de várias coisas, inclusive de uma banda de pagode. Eu era muito tímido, e ainda sou. Mas as pessoas dizem que quando subo no palco sou outra pessoa. Até o momento de subir no palco, fico muito nervoso. Mas depois que começa a apresentação, é só alegria. E o melhor é escutar os aplausos da platéia no final”, diz ele, empolgado.
Ravagnani Rodrigues
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