Aglomerado Morro das Pedras População: 1

O Aglomerado Morro das Pedras, localizado na região oeste de Belo Horizonte, é formado por sete vilas: Antena, Santa Sofia, São Jorge I, II, III, Leonina e Pantanal.

O Aglomerado Morro das Pedras, localizado na região oeste de Belo Horizonte, é formado por sete vilas: Antena, Santa Sofia, São Jorge I, II, III, Leonina e Pantanal. De acordo com a Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte – Urbel, o Aglomerado Morro das Pedras pode ter surgido por volta dos anos 20, no local onde existiam várias fazendas e uma pedreira.

De acordo com dados do Diagnóstico Participativo, elaborado pela Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas com participação de membros da comunidade, em 1996, no inicio do século XIX havia no local uma extração de pedras da Prefeitura de BH. As pedras eram retiradas para serem usadas como matéria-prima para a edificação da cidade, que na época era muito jovem. Belo Horizonte foi inaugurada em 1897 e seus planejadores a repartiram em três áreas: a área urbana, para as pessoas com maior poder aquisitivo, que teriam uma avenida, a Avenida do Contorno, para separá-la das outras áreas; a área suburbana, para funcionários públicos e integrantes da polícia do Estado e a área rural, voltada para a produção agrícola. No entanto, os operários e as pessoas que participaram da construção de Belo Horizonte, com pedras que eram retiradas do Morro das Pedras, não tinham espaço para morar. Daí começaram a surgir as primeiras favelas da cidade, onde foram morar os primeiros operários que vieram ajudar a construir a nova capital do Estado. Essas primeiras favelas ficavam no Córrego do Leitão (Barro Preto), Alto da Estação (Santa Tereza), Lagoinha e Vila Lídia (Barroca).

As primeiras ocupações datam de 1935 a 1938, quando o Prefeito Otacílio Negrão de Lima transferiu moradores das favelas existentes nos bairros Barroca e Santo Agostinho para o Morro das Pedras, oferecendo a eles um termo de doação de terreno. As primeiras casas eram construídas com tábuas, latas e papelão, sem qualquer infra-estrutura. A ocupação sempre gerou muita polêmica, pois várias casas foram construídas em encostas e áreas de risco. Na década de 30 foi implantado o Sanatório Morro das Pedras, que, posteriormente, tornou-se a Associação dos Tuberculosos Operários e Sanatório Marques Lisboa, onde hoje, funciona o atual Hospital Madre Teresa.

A partir da década de 50, como mostra pesquisa da URBEL, o entorno do Aglomerado Morro das Pedras, após a construção do Círculo Militar na Avenida Raja Gabaglia, começa a dar lugar a bairros de classe média alta como o Gutierrez, Cidade Jardim e Santa Lúcia. A população pobre residente ali foi removida pelo Poder Público que, pressionado pelos movimentos populares, construiu o primeiro conjunto habitacional do município, o Conjunto Santa Maria. De acordo com a pesquisa, a expulsão continuou com a implantação das avenidas Raja Gabaglia, Barão Homem de Melo e com a construção do BH Shopping. O processo de deslocamento da população pobre aumentava na mesma proporção em que crescia a especulação imobiliária.
De acordo com relatos de moradores mais antigos, no começo do século XX, nesta região havia chácaras e uma fazenda denominada Fazenda das Piteiras, muita área de matas, córregos e nascentes de águas cristalinas. O crescimento das vilas do Morro das Pedras se dá entre o meio da década de 60 e a década 80, também em função da migração. Um outro fator importante começou a atrair as pessoas para a região do Morro das Pedras: o “Lixão”. Entre 1945 e 1971 todo o lixo retirado da cidade era depositado sem qualquer controle de compactação, drenagem e aterramento. No lixo tinha de tudo: alumínio, cobre, vidro, papel, plástico, carne de frango, boi, peixe e de porco, arroz, feijão fubá, frutas, verduras, lixo hospitalar, etc. Da aglomeração no entorno do lixão surgiram as vilas Santa Sofia, Cascalho, Antena, Leonina e São Jorge.

Em 1971 uma explosão no Lixão matou dezenas de pessoas. Somente após o acidente é que o poder público aprovou um Plano Diretor de Limpeza Urbana e, em 1973, foi criada a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). Em 1975, o lixo de Belo Horizonte passou a ser depositado no aterro sanitário. O outro acidente, que levou à morte de três pessoas de uma mesma família, ocorreu em janeiro de 1982, com uma forte enchente no local conhecido como “Grotão”, onde desaguava parte do esgoto do aglomerado. Em 2000, uma outra tragédia: as chuvas de janeiro derrubaram vários barracos, provocando a morte de muitas pessoas.

Hoje as vilas estão quase totalmente urbanizadas e os moradores contam com escolas, creches, transporte coletivo, postos médicos e policiais. A comunidade é atendida por vários programas sociais, dentre eles o Fica Vivo, da Secretaria de Defesa Social. Apesar das conquistas, os moradores ainda têm motivos para reclamar da assistência pública. Parte deles reivindica saneamento básico, iluminação pública e segurança. Ainda assim, o Morro das Pedras é um local de grande riqueza cultural, contando com festas tradicionais e artistas conhecidos na cidade.

Fontes: Centro de Saúde São Jorge – PROFORMAR, Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte – URBEL, Diagnóstico Participativo, elaborado pela Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas com participação de membros da comunidade (1996), e Pesquisa da ONG Favela é Isso Aí.

Todas as comunidades

Dados demográficos

Informação indisponível.


Equipe

Supervisor de Pesquisa
Edmar Pereira da Cruz

Pesquisadores
Luís Carlos Soares Gonçalves
Juliano César Pereira Jardim

Bolsistas
Thiago dos Santos (Mano Cote)
Alysson Rafael M. de Assis
Robson de Jesus Martins
Haison Lucas da Silva
Fabiana Fernandes Romualdo
Vagner de Souza Pinto (Duda)

Estagiária
Luciana Matsushita

Revisão de Textos
Edilene Lopes


Entidades

Aglomerado Morro das Pedras
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Artistas

A pesquisa realizada pela equipe da ONG Favela é Isso Aí e correspondentes bolsistas da comunidade revelou que o Morro das Pedras tem pelo menos 102 artistas solos e grupos culturais. A maior parte da produção artística é na área de Música, somando 43 cadastros. Em segundo lugar está a área de artesanato, representada por 22 cadastrados na comunidade. Em terceiro vem a dança, com 15 cadastrados. Na área de artes plásticas foram cadastrados 12 artistas. Teatro (03), literatura (03) e folclore e religiosidade (02) foram as atividades menos desenvolvidas. Foi também cadastrado o projeto “2 Toque na bola”, na área de esportes. A maior necessidade relatada é a de recursos materiais e financeiros para produção do trabalho artístico.

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