Internacional das Periferias lançada na Maré, Rio de Janeiro

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Periferias de todo o mundo, uni-vos! Qualquer semelhança com o Manifesto comunista (Marx e Engels, 1848) não será mera coincidência, desde que o Complexo da Maré, Rio de  Janeiro, recebeu entre os dias 15 e 16 de março /2017 um grupo de mais de 120 pesquisadores, ativistas sociais, organizações comunitárias e moradores de periferias de várias partes do mundo. Com representantes de 15 países, o Seminário Internacional O que é a Periferia afinal e qual seu lugar na cidade? foi realizado por iniciativa do Instituto João e Maria Aleixo, formado na Maré em 2016. Minas Gerais levou seis representantes.

 

Durante o encontro foi elaborada e assinada pelos presentes a Carta da Maré, que será divulgada ao público e poderá contar com outras adesões ao redor do mundo. Além disso foi formada uma grande rede, denominada A Internacional das Periferias, cujo objetivo é integrar, unir, compartilhar e trocar experiências entre as diversas pessoas e organizações que lidam com a temática da exclusão, da segregação socioespacial e dos direitos das populações subalternizadas ao redor do globo.

 

Conforme expresso na Carta, seus proponentes recusam a visão reducionista, estereotipada e desqualificadora dos territórios periféricos, considerando a pluralidade das formas e das dinâmicas sociais, econômicas e culturais como um desafio na compreensão do que é uma periferia e, por conseguinte, na definição de parâmetros abrangentes que identifiquem os elementos que são comuns entre elas.

 

A Carta afirma que as periferias constituem moradas singulares no conjunto da cidade, compondo seu tecido urbano e estando, portanto, integradas a este. “Logo, elas são cidade, lhe dão identidade, sentido e humanidade”. E ainda que “a definição de periferia não deve ser construída em torno do que ela não possuiria em relação ao modelo dominante na dinâmica socioterritorial urbana ou de uma distância física de um centro urbano hegemônico. Pelo contrário, elas devem ser reconhecidas em suas potências inventivas e configurando centralidades diferenciadas da sociedade urbana, sendo estes elementos as referências fundantes para a produção de políticas públicas e formas de regulação apropriadas a estes territórios, que levem em conta as práticas sociais, formas e funções construídas pelos moradores no seu processo histórico particular. Assim, é a partir da concretude da sua morfologia; do reconhecimento das práticas estabelecidas por seus moradores e das condições objetivas de sua vida social que devem se estabelecer as referências possíveis do que é uma moradia digna, dotada das condições necessárias para o bem-estar e bem-viver. Enfim, uma morada onde grupos se aproximam por valores, práticas, vivências, memórias e posição social e constroem sua identidade como força de realização de suas vidas”.

A carta está disponível em português, inglês e espanhol. Letter from Maré – A Manifesto from the Peripheries Carta de Maré, Río de Janeiro – Manifiesto de las Periferias Carta da Maré – Manifesto das Periferias

Favela é Isso Aí também assina a Carta da Maré, participando como membro ativo da Internacional das Periferias.

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